Friday, May 7, 2010

Cap

Já perdi as vezes que olhei para o relógio… O céu cada vez mais carregado e sisudo, leva-me a acreditar que algures chora sobre alguém, desprovido de abrigo, perdido de sentido… Alguém que espera que o encontrem, que o salvem, que o abracem…

Mas que vagabundo é este que deambula no seu interior e evita exteriorizar o medo, consumindo a própria dor? Vejo-o sentado sobre si mesmo, procurando esmagar a revolta que o imobiliza. Vejo-o puxar de mais um cigarro, tentando libertar no fumo que expira o sofrimento e torpor assimilados durante anos. Vejo-o recordar com saudade e desprezo. Vejo-o confrontar-se com o presente, ansiando que o futuro chegue mais tarde. Vejo-o querer adormecer, sem ter de acordar. Vejo-o forte, sinto-o fraco e assustado.

Seguro-lhe a mão, sem que se aperceba. Beijo-lhe a testa em tom de confissão. Limpo-lhe as lágrimas libertadas com frustração. E segredo-lhe ao ouvido antes de lhe sorrir: “Estou aqui contigo… não te vou deixar cair…”

Thursday, March 25, 2010

Dias Cinzentos

Nestes dias cinzentos
Que me escurecem o olhar
Procuro fechar-me em mim mesma
Até o céu clarear.
Nestes momentos de melancolia
Que me fazem sufocar
Perco as forças e vontade
E deixo-me arrastar.
Nesta cadeira que me amarra
Detenho-me sem fugir
Aqui inspiro sonhos e utopia
Hoje quero-me iludir.

Monday, March 8, 2010

Mulher

"Só quando os homens chegam a uma certa idade é que podem dizer com certeza que as mulheres são melhores do que eles em tudo - mesmo na bola, a carregar pianos, a lutar com jacarés ou nas outras coisas em que ganhávamos quando éramos mais novos e brutos e fortes.

Quando se é adolescente, desconfia-se que elas são melhores. Nos vintes, fica-se com a certeza. Nos trintas, aprende-se a disfarçar. Nos quarentas, ganha-se juízo e desiste-se. Nos cinquentas, começa-se a dar graças a Deus que seja assim. Os homens que discordam são os que não foram capazes de aprender com as mulheres (por exemplo, a serem homenzinhos), por medo ou vaidade ou estupidez. Geralmente as três coisas.

Desde pequenino, habituei-me que havia sempre pelo menos uma mulher melhor do que eu. Começou logo com a minha linda e maravilhosa mãe, cuja superioridade - que condescendia, por amor, em esconder de vez em quando - tem vindo a revelar-se cada vez mais. As mulheres são melhores e estão fartas de sabê-lo.

Mas, como os gatos, sabem que ganham em esconder a superioridade. Os desgraçados dos cães, tal como os homens, são tão inseguros e sedentos de aprovação que se deixam treinar. Resultado: fartam-se de trabalhar e de fazer figuras tristes, nas casas e nas caças e nos circos. Os gatos, sendo muito mais inteligentes, acrobatas e jeitosos, sabem muito bem que o exibicionismo vão leva à escravatura vil.

Isto não é conversa de engate. É até um tira-tesões. Mas é a verdade. E é bonita."

Escrito por Miguel Esteves Cardoso, 8 de Março

Monday, February 8, 2010

I'm somewhere in between...

"I can't meet
Losing sleep over this
No I can't
And now I cannot stop pacing
Give me a few hours
I'll have this all sorted out
If my mind would just stop racing

Cause I cannot stand still
I can be this unsturdy
This cannot be happening

This is over my head
But underneath my feet
Cause by tomoroow morning I'll have this thing beat
And everything will be back to the way that it was
I wish that it was just that easy

Cause I'm waiting for tonight
Been waiting for tomoroow
I'm somewhere in between
What is real
Just a dream
What is real
Just a dream
What is real
Just a dream

Would you catch me if I fall out of what I fell in
Dont be surprised if I collapse down at your feet again
I don't want to run away from this
I know that I just don't need this

Cause I cannot stand still
I can be this unsturdy
This cannot be happening

Cause I'm waiting for tonight
Been waiting for tomorrow
And I'm somewhere in between
What is real
Just a dream
What is real
Just a dream
What is real
Just a dream
What is real just a dream"

Wednesday, January 27, 2010

Tempo

Perco-me neste vazio em que só existe tempo
Vejo as horas passearem, os minutos correrem e os segundos voarem.

Cada um deles dança ao ritmo da sua melodia
Sem que nunca se enganem no passo
Sem que nunca transpareçam melancolia
Vivendo o hoje e o amanhã sem embaraço.

Pergunto-me porque se movem tão ordenados,
Como não se sentem cansados?
Duvido da sua natureza e origem
Da sua imortalidade e soberania
De não se deixarem manipular
Como se protegidos por magia.

Não gosto do tempo
Nem da sua coerência minuciosa
Inspiro aleatoriedade, não ordenação
Aguardo o acaso e evito a previsão.
Se me engano no compasso
Recomeço sem recuar
Acabo por me despir de hábito
E cobrir-me de acreditar…

Monday, January 25, 2010

Me & Myself

In every people's heart
There are dreams to fix
Words to find
Fears to shame and
A silly mind to blame.

So you can hear your heart beat
And keep yourself aware
Or you can just ignore it
And still pretending you don't care.

Whatever you decide to do
Never leave your face down
Peolple may see you as
A whisper in the noise
A lullabye in a flock
Or a ball in someone's court
But they don't know the half of you.

They can't see all the colors of your smile
Neither feel the softness of your moves
The magic in your flight
The deepness of your eyes
The truth you hide inside.

They can't see how beautiful you may be...
How beautiful you are to me...

Sunday, November 22, 2009

Goodbye…

...Baiuca da Populaça Indigente… ;)


Monday, September 7, 2009

I'm free


The door is open
There’s nothing to fear
Can you give me a smile?
I promise you won’t see a tear.
Even if I fall down now
I’ll stand up in a minute
I’ll be able to heal my wounds
And save myself before you hold me.
Yes I’ve got a broken wing
But my soul can handle it
And I can fly without shame
Like a bird getting insane.
Because I love this crazy life
I love to feel it on my veins
I love to dance till I get weak
And get conscious that
I’m happy if I’m free…

Wednesday, August 19, 2009

Hoje...

Apetece-me correr sem ter que fugir, encher-me de lama para me encobrir, deitar-me num banco de um jardim solitário e sentir-me terra, ar e não uma peça fechada no armário…
Apetece-me beber água até em peixe me recriar, nadar em mares gelados e profundos, onde ninguém me consiga alcançar…
Apetece-me saltar sem ter que cair, descobrir as asas que não vejo, mas que parecem existir…
Apetece-me não ter de estar aqui, não ter consciência nem racionalidade, ser fruto apenas da minha espontaneidade…

Tuesday, June 9, 2009

Saturação

As horas não passam, o tempo não flúi
A liberdade não chega, o interesse já foi
Acordo sem querer, forço o adormecer
Sonho acordada, para evitar ceder.
Mas o cansaço é demasiado
A espera desconcertante
A frustração corrosiva
A ansiedade uma constante.
Preciso de respirar
De despertar, de me desamarrar
Preciso de reencontrar
A coragem na saudade
E voltar a suportar
O peso da minha verdade.

Sunday, June 7, 2009

Lady Bug



Para onde vais?
Sei que interrompo o teu percurso… Sei que te assusto por te agarrar e não deixar continuar… Mas preciso perceber o que te traz, quem te canta e inspira... e como o faz.
Quem te conhece, garante que trazes sorte ao pousar. Para mim, carregas um fardo demasiado pesado que coloridamente consegues camuflar.
Sinto-te cansada e resignada. Talvez à espera de mais um “Voa, voa, que o meu pai está em Lisboa”. Mas descansa, não quero usar-te, quero apenas sentir-te e olhar-te…
No fundo, somos parecidas… Evitamos, não para nos escondermos, mas para que não nos descubram. Voamos, não para fugirmos, mas para existirmos em nós. Sorrimos, porque acreditamos e não queremos acreditar. Caminhamos, sem saber o que nos move e sem querer saber onde nos pode levar…
A verdade é que ambas vivemos "a bug's life"... tu, por imposição... eu, certamente por opção.

Sunday, May 24, 2009

É tão simples...



Gosto da simplicidade das coisas, do grito sincero do mar, da disposição desordenada das pedras, da areia a circundar.
Gosto das palavras que me chegam para segredar, algumas trazidas pelo vento, outras esquecidas no ar.
Gosto do amor puro, da amizade sincera, da alegria incompleta pelo medo de perder, da saudade e do querer.
Gosto da luz no teu rosto, que se reflecte no olhar e que aquece a tua pele quando me tentas abraçar.
Gosto de me consumir e de expor a minha liberdade, idealizar um rumo, negando a verdade.
Hoje gostava de me deter, sem ter de o fazer…
Mas é tão simples gostar e tão difícil evitar…

Sunday, May 17, 2009

Vai... voa... não fiques...

Sinto o corpo cansado, os músculos doridos, os olhos pesados.
Sentada à janela, observo o movimento desenfreado de quem sabe onde ir,
De quem sabe o que fazer e como o obter.
Parecem robots programados com rotinas e condutas
Que carregam pilhas substitutas e semblantes distorcidos
Que seguem independentemente da sua vontade
Como se tudo constituísse uma obrigação,
Uma ordem natural das coisas.
Vivem como fracos e oprimidos,
Esperando que, um dia, Alguém os salve…

Levanto-me e afasto-me deste cenário desconcertante…
Já há muito tempo que não escrevo,
Que não oiço, que não me encontro…

Saturday, October 25, 2008

Vício

Quando o desconforto aperta
E a vontade de resistir diminui
Gostava de ter forças para encarar,
Com a hipócrisia que vos domina,
Que não importa ser, mas sim parecer.
Deixei de me identificar com tudo o que me rodeia,
Com tudo o que sempre sonhei introduzir,
Com tudo o que construí e involuntariamente deixei fugir.
Agora luto por atenuar
Este desejo de liberdade que me assombra
E que se torna cada vez mais
Um vício difícil de contrariar.

Friday, October 24, 2008

DaYdReAmEr

Always waiting for a surprise... :)

Wednesday, March 26, 2008

Believe...


When calm is followed by storm
And certainties are replaced by doubts
All the “little” stupid people who upset us
Are seen as intolerable and ridiculous spongers
Who have no sense of kindness and love
But mainly who have nothing and no one to believe in.
Fortunately, I've always kept my faith on you
And this strength you give me all days
Leads me to never stop fighting… to never give up
And makes me smile every time I feel
You still believe in me too…

Saturday, March 1, 2008

Sunday, November 18, 2007

Ser feliz

Quando me dizem “Gostava de ser feliz”
Não respondo…Não comento…

A felicidade é uma forma de estar
E não um objectivo a alcançar
É não exigir, mas insistir
Correr até o coração disparar
Gritar até a voz deixar de soar.

É viver no limite
Encarar o impossível como uma porta aberta
Para um mundo de possibilidades
Para um estado de fantasia
Capaz de superar duras realidades.

Ser feliz é ter medo de morrer…
É sentir a dor e chorar
É acreditar…
Saber saborear…
É amar com receio de o manifestar.

Ser feliz é sê-lo sem saber…

Sunday, July 22, 2007

*09/07/07 - 21/07/07* Seculo Sempre*


Por vezes baste um sorriso para perceber que a mais insignificante acção, o mais ténue gesto tem uma repercussão grandiosa quando vindo de uma criança…
É difícil escrever sobre a sinceridade espontânea, sobre a felicidade fácil, sobre a ingenuidade incutida pelo olhar de quem vê a vida como se de um sonho se tratasse, como se numa fábula se recriasse…
São momentos como estes que vivemos que nos fazem sentir maiores do que aquilo que realmente somos… São pessoas como aquelas que conhecemos que nos indicam que estamos e continuamos a caminhar…que nos motivam a não querer parar!
Sinto que realmente não há um topo, um limite, para o crescimento…Aprendemos até com aqueles que tão pouco sabem, mas que por tanto já passaram… E é ao vê-los e confrontá-los que nos apercebemos o quanto tornamos difícil aquilo que é tão simples, tão fácil…o quanto abdicamos por medo ou receio de falhar…
Estamos presos à capa que nós próprios criamos e moldamos de acordo com a situação, a pessoa, o momento…Será que existe alguma “capa” de tamanho de criança? E se existir, terão elas interesse em usá-la? Eis o que as distingue de nós e eis o que as faz sorrir de forma diferente, olhar com olhos diferentes, agir com movimentos e intenções distintos!
Aquilo que fica destes dias é muito mais que uma sensação de dever cumprido, é muito mais que a melancolia inerente à contrariedade de voltar…O que fica é uma porta aberta para um mundo que já há muito não visitava, que já há muito não vivia…voltar a ser e sentir como é ser criança…haverá coisa melhor?

Saturday, June 9, 2007

Give me your forever...

Sinto-me a renascer num mundo novo
Perturbante e desconhecido, mas ao mesmo tempo desafiante e compensador
Deixo o velho costume de pouco fazer e tanto viver
Liberto-me do ninho onde nasci e aprendi a crescer
É por isso que neste ponto de viragem
Presto este tributo
A todos os que me ensinaram
A todos os que de mim sempre tanto esperaram
A todos os que comigo riram, choraram, partilharam
Obrigado por tudo...
Obrigado por serem como são...
Obrigado...